Residência & Relocation

Seis meses no Paraguai: o que gostamos e o que nos incomodou

Quando saímos de Campinas para morar em Assunção, viemos nós dois e os nossos dois cachorros. Seis meses depois, já sabemos o que ficou mais fácil no dia a dia e o que ainda dá mais trabalho do que gostaríamos.

Responsável editorial: S2 Private Advisory · Atualizado em · Por Cristiano Soares e Rejanny · Publicação: 2026-11-05

Gostamos de sair para comer e de andar pela cidade. Foi nessas horas que mais sentimos a diferença entre a vida que tínhamos e a que encontramos aqui. E foi dentro de casa, quando precisamos terminar um serviço, que apareceu uma das nossas maiores frustrações.

Neste guia

Como era a nossa vida antes da mudança

Nossa referência é a vida que levávamos em Campinas e São Paulo. Em Campinas, a casa era maior. Também não temos filhos na escola e não viemos procurar emprego local.

A comparação que fazemos parte dessa rotina. Quem chega para procurar emprego ou tem filhos na escola terá outras despesas e outras preocupações. No nosso caso, a renda já estava organizada quando mudamos.

O que pesou nos nossos seis meses
  1. O que mais gostamos

    Receptividade, custo da nossa rotina e sensação de segurança nos lugares em que circulamos.

  2. O que deu mais trabalho

    Calçadas, viagens para visitar a família e contratação de serviços para casa.

Relato pessoal de Cristiano e Rejanny, com referência a Campinas e São Paulo. A experiência varia conforme endereço, renda e rotina familiar.

O que mais gostamos: a forma como fomos recebidos

A primeira coisa que nos marcou foi a receptividade. Já passamos dois meses no México e o Cristiano morou em Londres. Nos dois lugares fomos bem tratados, mas aqui a sensação foi outra: no Uber, no restaurante, na lanchonete da esquina, quase sempre fomos recebidos com simpatia.

Para nós, poder conversar, pedir ajuda e criar relações fez diferença na vontade de ficar. Na mudança em casal, cada um também precisa encontrar a própria rotina e conhecer pessoas, principalmente se só um já chega com o trabalho organizado.

O custo de vida, comparado com a vida que tínhamos

O segundo ponto foi o custo. Algumas coisas aqui são mais caras: mercado e móveis, por exemplo. Mas, quando colocamos tudo na ponta do lápis no fim do mês, a conta ficou bem mais favorável. Pelas nossas contas, em Campinas gastávamos de 30% a 35% a mais do que gastamos hoje, sem deixar de fazer o que gostamos. A casa lá era maior, e isso entra na conta.

No nosso dia a dia, o que mais pesou foi plano de saúde, ar-condicionado ligado o dia todo e restaurante. Hoje almoçamos fora durante a semana com mais frequência do que no Brasil. E deixamos claro: não viemos por causa do custo. Viemos por uma estratégia de investimento de médio e longo prazo. A diferença no orçamento virou dinheiro investido.

Quem vem de uma cidade do interior pode sentir o contrário, porque Assunção é capital. Por isso, não compare o preço da banana. Compare a vida que você leva hoje com a que pretende levar aqui:

Sua comparaçãoComo tornar a conta útil
MoradiaMesma quantidade de quartos, mobília, vaga e despesas incluídas
Saúde e educaçãoProposta por idade, cobertura, série e necessidades da família
Alimentação e lazerFrequência real; sair mais pode consumir a diferença de preços
Visitas ao BrasilNúmero de viagens desejado e custo total do percurso
InstalaçãoSeparar móveis, mudança e garantia de aluguel das despesas mensais

O guia de custo de vida traz cenários com valores publicados e premissas identificadas. Use como planilha para adaptar, não como renda mínima.

A sensação de segurança, nos lugares onde vivemos

A terceira coisa foi a sensação de segurança. Em São Paulo, a gente tinha medo de mexer no celular dentro do carro, e esse medo vem junto com a gente até hoje. Aqui andamos de vidro aberto à noite. A Rejanny se sente segura andando sozinha na rua, e quando a mãe dela veio nos visitar, as duas passearam a pé com tranquilidade.

Essa sensação vem dos bairros de Assunção onde moramos e circulamos. Para escolher sua casa, vale percorrer a rua e os caminhos a pé nos horários em que você vai usá-los. Foi no dia a dia que sentimos a diferença.

O que nos incomodou: calçadas e água na rua

Agora as partes que não gostamos. A primeira é a estrutura das ruas. Mesmo em regiões boas, há momentos com bueiro estourado e calçada molhada, em que você precisa escolher onde pisar porque não tem por onde desviar. Não dá para andar muito a pé. Não usamos ônibus, então não falamos de transporte público.

A Rejanny, que é de Goiânia, acha que em muitas regiões a infraestrutura daqui é parecida com a de lá. Não é uma cidade precária. Mas, se você pensa em fazer tudo a pé, com carrinho de bebê ou com alguém de mobilidade reduzida, caminhe até o mercado e a farmácia antes de assinar o contrato.

Visitar a família ficou mais difícil

O segundo incômodo foram os voos. Para nós, ir ao Brasil ver a família ficou caro, com horários ruins e escalas longas, dependendo do destino. Muita gente aqui viaja de carro ou vai até Foz para buscar passagem mais barata, o que dá trabalho. Para quem mora perto da fronteira, isso pesa menos. Como malha aérea e preços mudam, não listamos rotas aqui.

Família é importante para nós, e ir menos vezes ao Brasil é um ponto negativo real. Se visitas frequentes são parte da sua vida, pesquise a viagem inteira antes de se mudar: saída de casa, conexão, chegada, volta e hospedagem.

Contratar serviços pede paciência

O terceiro incômodo foi contratar serviços para a casa. Tivemos um prestador que voltou três vezes sem conseguir terminar o trabalho, parou de aparecer e nos obrigou a contratar outra pessoa, depois de já termos pago parte do material e do serviço. Com diarista, a Rejanny já marcou com muitas pessoas que deram desculpa no dia ou simplesmente não vieram.

Não dá para dizer que todos os profissionais são assim. Mas aconteceu mais de uma vez com a gente. Nossa sugestão: antes de chegar, liste os serviços que vai precisar, como internet, ar-condicionado e pequenos reparos. Contrate por entrega, com prazo e forma de testar o resultado, e só pague a etapa seguinte quando a anterior estiver pronta. Se precisa trabalhar de casa desde o primeiro dia, resolva internet e climatização antes.

Outra coisa que percebemos é como muita gente se conhece. Cuidar das relações, cumprir o combinado e pagar no prazo fazem diferença aqui.

Seis meses bastam para decidir?

Para nós, não. Seis meses é pouco para tirar uma conclusão sobre um país. Assinamos um contrato de dois anos no apartamento, e esse é o prazo que nos demos para viver a experiência, aconteça o que acontecer.

No balanço de agora, a receptividade, o custo e a segurança pesaram mais do que a infraestrutura e os outros incômodos. O Paraguai nos acolheu. Mas não achamos que tudo o que falta aqui seja oportunidade de negócio: tempo certo e investimento precisam ser estudados.

Se você está decidindo se muda, comece pela rotina que terá aqui. Com renda já estabelecida, confira quanto ela compra e como continuará recebendo. Para buscar emprego, pesquise salários e reserve dinheiro para a procura. Com filhos, visite escolas. Para empreender, separe o dinheiro da casa daquele que pode investir no negócio.

Para seguir, combine o guia de bairros com o roteiro de residência e um período de observação da sua própria rotina.

Assista no Vida em Portfólio: 6 meses depois: valeu a pena mudar pro Paraguai?
O relato completo, gravado nas ruas de Assunção.

Fontes consultadas

Vida em Portfólio — vídeo “6 meses depois: valeu a pena mudar pro Paraguai?”, com Cristiano e Rejanny. O texto foi escrito a partir da transcrição e está sujeito à aprovação dos dois autores.